50 Anos de Formatura

Cidade Principal

A nossa turma (científico, clássico e curso normal) formada no ano de 1954, ano do 4º Centenário da cidade de São Paulo e, em razão desta comemoração, chamada turma do 4º Centenário, a cada ano fazia uma grande reunião com Celebração de Missa, visita ao Cemitério e um grande almoço para a confraternização geral. As reuniões eram sempre bastante concorridas, mas a de Julho de 2004, a dos nossos 50 anos de formados, foi exuberante.

Neste ano, lotamos o San Remo onde ocorreu o almoço. Veio todo mundo, fizemos até um amigo invisível e eu caí com o meu melhor amigo o Romualdo Carmelo Fucci.

Mas há nesta comemoração algo especial para duas pessoas, eu, o aluno e a Profa. Isolina Paro Lapenta. Na prova final, no exame de francês, ao sortear o ponto, cai com Prosper Merimée´, Guy de Maupassant e Stendal, representantes maiores do parnasianismo francês. Atento, ele vinha logo depois de mim, o Badui Tannus alertou dona Isolina lembrando que aquela matéria era no Clássico e não do Científico. Resultado: fui para o fim da fila. Depois de sortear  o ponto e cair com Vitor Hugo fiquei apreciando a prova do Marcus Pires Gabriel. Marcus estava tenso, o francês nunca foi o seu forte e, apavoradas, apareceram na porta as profas. Camila Carvalho Gomes e Josefina Calil, apavoradas pois Josefina apertará o Marcos e ele ficará de 2ª época e, como ele já tinha outra 2ª época, se levasse a terceira seria reprovado.

Dona Isolina era firme e ficou meio vendida. Acabou dando a nota 5,5 que o Marcos precisava. Então lá fui eu. Leitura, mil por cento superior. Vitor Hugo criou a expressão, romântico (sont les plus romantique). Preciso de 4,5 e se o Marco tirou 5,5 vou tirar 12. Lêdo engano. Dona Isolina tinha que mostrar sua força e recebi um 4 seco e fui para a primeira e única 2ª época da minha vida escolar. Passamos as férias estudando como o prof. Gilberto Fernando Orrico a gramática inteira do Claude Augé. Versão e tradução, o que me valeu um 10 no exame escrito e vou para o oral com nota sobrando. Romualdo do lado, no sorteio eu tirei Moliere. Dona Isolina com a velha classe perguntou: – seo Aiello, o que o senhor sabe sobre Moliere. Eu, na clássica carta de vingança mando logo: – a única molier que eu conheço é a esposa de Lapeão que era dona de um prostíbulo… Nem precisei acabar, 9, pode ir embora.

Nos 50 anos de festas evitei a Dona Isolina sistematicamente, mas neste dia, quando se resolveu cantar algumas canções em francês, ela veio me chamar para cantar junto com ela e reatamos a amizade perdida.

Nos reunimos até 2014 quando a Iraci Araceles Fernandes Angotti,  que tinha a lista de todos os formandos, não aguentou mais chorar os que já tinham partido e encerramos as comemorações com este recorde absoluto. Duvido que alguma turma de formando, em todo o mundo, tenha se reunido por 60 anos seguidos. Foi uma daquelas coisas que parece só Taquaritinga que tem.

E vamos lá: na foto a Profa. Josefina Calil Nuevo de Campos, professora de Química – o consagrado Prof. Arnaldo Ruy Pastore, professor de física – a Profa. Isolina Paro Lapenta, professora de Francês – o degas aqui autor destas linhas – Profa. Ponciana de Freitas Damato, Profa. da Escola Normal – Prof. Francisco Gomes da Silva, professor de Educação Física e a Profa. Conceição Brandão Ferraz, professora de Geografia.

Taquaritinga, 10/06/2026, n.º 11935

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