Uma agradável lembrança para mim e para milhares de taquaritinguenses

Cidade Esporte Principal

Para mim, que vi ele jogar, a sua aprovação em teste no Palmeiras fora bastante lógica. Um problema com a justiça, cuja disputa perdera, embora fosse seu o direito, não só mostrou sua grandeza de alma como a posição inflexível de um homem com rara e brilhante personalidade. E o Nelson Pedro Parise ficou por aqui mesmo. Indiretamente, ele foi quem me dirigiu para o basquete, esporte no qual tive algum destaque. Fazíamos o tradicional jogo entre São Paulo e Corinthians x Palmeiras, do nosso ginásio. Logo em seguida treino do CAT e lá estava ele o consagrado meia de volta ao futebol que tanto amava. Me chamou num canto e disse para eu ficar no campo que iria jogar com ele formando a ala esquerda. Depois ele contou que a escolha fora porque eu tocava rápido, de primeira, recurso que, por não saber driblar, havia me especializado. E por ali, colocamos na roda o Milanez, grande volante do CAT o qual, como não podia bater no Nelson, dedicou a mim a pancada que me tirou do campo. Subi para uma quadra de basquete que havia ao lado da Estação de Água, que ainda existe lá no SAAET, para ir embora com meu tio Geraldo Mirabelli que mandou eu entrar na quadra para compor o número de jogadores. Por duas vezes atirei a bola para a cesta, ainda fora do garrafão e fiz as duas. Foi amor eterno à primeira vista. Eis que Nelson Parise, junto a outra figura maravilhosa de músico, como conto no meu 3º Livro sobre a História de Taquaritinga, quase pronto, compraram o bar da esquina da Campos Sales, de bico com o Clube Imperial, do seo Alexandre, que foi quem iniciou o ripa Catanduva. Português decidido, mas muito cavalheiro. Pouco depois o sócio, por atuar em orquestra, sem tempo maior, deixou o bar. E segue então o Nelson, no início da noite, namorando a Dona Florinha, vizinha de frente e futura esposa, na janela e depois seguindo para enfrentar o trampo até a madrugada.

E ele foi avançando, no salão de baixo, duas mesas de snooker que eram um tapete, sem descaída, ali onde antes fora o espaço para muitos banquetes. Veio então o consagrado Bauru, que a gente nunca conseguia comer inteiro pois, cortado em quatro, sempre aparecia um bicão para levar um pedaço. Ali o foi banco de muita gente que reforçava a mesada com a antecipação de um empréstimo, um dinheiro para comprar a passagem de volta para São Paulo, o saque ali era sempre garantido e muitos hoje devem lembrar agradecidos de tanto favor. Embora sempre másculo e firme, Nelson era uma moça com os mais jovens. O José Carlos Reis Rodrigues tinha um fordequinho e queria ver se o mesmo passava na porta do bar. Não só não passou como esculhambou com as laterais da porta. Quando indaguei o que ele iria fazer, com toda calma Nelson respondeu: – vou esperar ele acordar e ver como ele vai consertar o estrago. Numa feita estava eu mais minha namorada de então, ali para um guaraná e um Bauru quando vi, de repente, o Dorival Bianchi, forte como ele só, meio alcoolizado, derrubando todos e todas as mesas. Quando comecei a imaginar o quanto iria apanhar com o Dorival já nas minhas costas, Nelson chama ele aos gritos, já com o revólver na mão, dizendo que ele não podia tocar em mim. Ao perguntar quem era e o Nelson confirmar que eu era filho do João Aiello, Dorival me abraçou pois eu era filho do amigo que tanto o protegera.

Uma noite perguntei para ele sobre o futuro do bar. Tchê, ele trouxe essa gíria do técnico argentino Ganbon, técnico do Palmeiras com quem viveu algumas gloriosas semanas, enquanto o Imperial estiver ali eu estou aqui. E foi este o destino, ao acabar o Imperial acabava também o Nosso Bar de Nelson Parise que me quis sempre como um sobrinho especial estando aí a razão pela qual eu nunca poderia esquecer o tio querido.

Taquaritinga, 01/07/2026, n.º 11942

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