São 60 anos de jornalista registrado

Cidade Política Principal

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Dentro do Cidade de Taquaritinga desde pouco antes dos 3 anos, seria lógico eu chegar a números expressivos no exercício desta profissão de jornalista. Ainda garoto, montei, diretamente no componidor, peça na qual se organizavam as letras de uma matéria, o nascimento do Tyrso Micali. Depois, no ano de 53/54 escrevi comentários sobre o Clube de História, uma criação do professor Waldemar D´Ambrósio, no qual figuras históricas eram julgadas pelos alunos. Em 1957 vem o primeiro artigo que considero completo, informativo e bem feito, que foi sobre o 1º Jogo de Futebol de Salão, acontecido em nossa cidade, onde o LEMA deu um baile no time do CAT. Daquela equipe dois atletas ainda estão vivos entre nós. Finalmente, quando deixei toda uma vida escolar de lado e vim para o jornal, gostava mais do balcão da livraria, de efetuar a manutenção das máquinas gráficas e levava o jornalismo meio na esportiva até, quando resolvi ficar noivo e casar, efetuar um registro profissional com carteira assinada e tudo mais. E isto ocorreu há exatos 60 anos, em agosto de 1.966. Parece uma vida e nem parece que vivemos aqui todo este tempo. Daí para cá editei jornais em Cândido Rodrigues, por duas vezes; em Santa Ernestina, por alguns anos; em Dobrada, também por alguns anos; em Guariba, por 2 anos e a minha grande esperança, o jornal ao qual me dediquei com muito empenho, por todo um ano, o Jornal dos Municípios para as cidades de Taquaritinga, Jaboticabal, Monte Alto e Matão. De Taquaritinga, escrevia eu mesmo, de Monte Alto, o Claudinei dava uma boa força, de Matão não tinha ninguém, era eu e Deus e de Jaboticabal encontramos lá o Jair Falvo, conhecido por todos como Jair Motuca pois ele era natural desta localidade vizinha de Guariba. Ao procurar o grande amigo Dalmo, que era Diretor da Rádio, colaborador de O Combate e responsável pela divulgação do Bispado, junto ao Bispo Dom José Varanda, ele disse ser impossível me atender pois não teria tempo para tal e me indicou o Jair Motuca reforçando que, além de capacitado, ele estava desempregado. Encontrei o Jair morando com a sogra, no bairro da Aparecida, vivendo, ele, a esposa e a filha pequena, em um quarto que era a um só tempo, dormitório, cozinha, sala de visitas com o banheiro fora da residência. Jair abraçou a idéia por inteiro. Aluguei uma casa na Rua Rui Barbosa, ele se mudou para lá, trocou com publicidade uns móveis necessários e era tão dedicado que pedia para eu ir buscá-lo pois, como conhecia gráfica, poderia ajudar, como ajudava, o Toró a compor o Jornal. Tivesse eu encontrado um Jair Motuca em cada local e o jornal teria alcançado pleno êxito. Quando resolvi parar, Jair trouxe para cá a fita do jogo final do CAT contra Bragança, que nos classificou para a série principal do Futebol Paulista, isto por ideia do Dalmo, que era o locutor esportivo, em razão de o jogo acontecer junto á Hora do Brasil e as rádios, naquele tempo, transmitiam, obrigatoriamente, notícias do governo federal. Daí ele se aproximou do Serginho, ingressou na Rádio e foi um grande batalhador pelas reivindicações dos taquaritinguenses com destaque para a implantação da Área Azul e o Rede de Combate ao Câncer. Jair morreu esquecido de todos, vivendo pelos lados da Vila São Sebastião. 

De todo este período o destaque fica mesmo pelas edições do Cidade de Taquaritinga como jornal DIÁRIO, em formato Germania, grande, quando Taquaritinga tinha apenas 32.600 habitantes, condição que me permitiu dar à minha cidade um Jornal que nunca existiu em cidade do mesmo tamanho, em todo o mundo. Ele foi o motivo de justificado orgulho pela grandeza do feito. Toda essa vivência mais o prazer de conversar sempre com os mais velhos que tinham informações valiosas me proporcionaram a oportunidade de escrever duas revistas, uma em 1968 outra em 1977, esta raríssima, a Revista dos  50 anos do CAT e mais 3 livros sobre a história de Taquaritinga, os dois primeiros já rodando por aí e o terceiro que já está pronto e vamos lançar, em princípio, no mês de outubro.

Hoje, tateamos as Redes Sociais, faço, mas não é aí que quero o meu jornal e não acredito que ninguém mais queira ler. Mas vamos continuando, chego na semana que vem aos meus 90 anos, podem rir e nem acreditar, mas tenho certeza que vou mais longe sempre em busca de oferecer aos taquaritinguenses um jornalismo puro, incentivador e que possa sempre acrescer alguma coisa nesta cidade que tem tanto e é tão mal aproveitada.

Na foto, Jair Motuca quando já estava trabalhando na Rádio, ele chegou a ser candidato a Vice-Prefeito com o Serginho, eu e o ex-Prefeito.

Taquaritinga, 26/08/2026, n.º 11958

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