Se há um evento, hoje meio complicado de lembrar, do qual não há similar nos dias atuais, eram os tradicionais bailes que aconteciam durante todo o correr do ano. Naquele tempo o cinema, depois representado na TV e hoje também nos celulares, mais os grandes bailes e o futebol no domingo, eram a base do que havia para diversão e socialização.
Os bailes, mais do que as chamadas Brincadeiras Dançantes, das 22 até às 24 horas, no Clube Imperial em um período especial com a orquestra da casa sob o regência do competente pianista Luiz Casali, corintiano roxo, os bailes, dizia eu, eram o ponto chave dos encontros, dos nascentes namoros. No mínimo, a cada ano, tínhamos o Baile de Sábado de Aleluia que o Padre Cavalini tentou transportar para o domingo mas perdeu feio; o Baile do Dia dos Namorados, o Baile de Fim de Férias, o Baile da Festa da Cidade, o Baile em Outubro, na véspera de Finados, e os bailes de formatura os quais, quando aconteciam em sua possibilidade total era 5: Técnicos em Contabilidade – Contadores – Curso Normal – Ginásio e Científico e fechando e iniciando o ano o Baile do Réveillon.
A vibração começava quando se anuncia a Orquestra que animaria o baile. Todos bem vestidos, os homens com seus ternos, as moças com seus lindos vestidos, salto alto, uma pequena bolsa com lenço, batom, Todos os homens com os sapatos bem engraxadinhos, alguns para aumentar a confiança faziam o tradicional chuvisco: em um copo, dose de gim à qual se adicionava soda limonada com a tampinha furada; era só chacoalhar e o complemento escorria fácil.
Nos bailes, sempre com lotação total, os boleros, como sempre, os o slow fox, o fox lento, lotavam o salão. Já nos ritmos mais intensos o espaço ficava maior.
Esta foto é de um baile de início da década de 50 e, não sei por qual razão, o destaque sou eu dançando com a vizinha do meu avô a Vilma, filha do fotógrafo Nicolino Morano. Mas se percebe fácil, na frente da foto o Clorivaldo Maia, ao seu lado o Rudinei de Jesus Tabachi, nosso colega de turma o qual por muitos anos dirigiu a Escola Dante Alighieri, em São Paulo, mais ao fundo, na sua direção o Passafaro com sua namoradas e futura esposa e mais ao fundo o João Nucci que era sempre o último a chegar pois na sua sapataria atendia os atrasados em consertos e para passar uma graxa no sapato um dos meus maiores amigos.
Como dá para perceber o salão, e as mesas ao seu redor estão lotadas. O baile deve ter sido de formatura pois o traje era a rigor era, ou o terno azul marinho com gravata borboleta preta ou terno branco de linho 120 com gravata borboleta vermelha.
Taquaritinga, 22/05/2026, n.º 11930
